sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amor consuetudinário (ou Coração de Chagas)

Não poderia dizer que não são de estratégias,
ou que o são.
Treinamento árduo para mudar ora o que cerca,
ora o que é encoberto.

São seria se aceitasse,
se não mudasse a cor do dia
nesse céu incolor.

[Então imagino que nada mudou,
porque nada mudou.]

E continuo a esperar que o mundo nasça de novo
sem mudar as estratégias,
e o que me cerca encobre a cor do meu dia:
o hábito que tenho
de inventar amor.






sábado, 30 de junho de 2012

Plans

Today something strange occurred to me...
some strange desire to change it all;
to resent past decisions as if they were
nothing compared to this right now.

And I thought about calling you up
or letting you know
that I've been thinking about you
that I want you here.


To keep to plans once we shelved
as they aimed at something
I cannot let go of...
Will I fall through?


So now I anxiously and silently wait
for it.
Will I procure it; or
Will I go to waste?

terça-feira, 19 de junho de 2012

A ponte

Então tirei uma foto da ponte com a câmera de meu telefone. Registrar este momento parece fazer sentido; não é todo dia afinal que cruzo cento e vinte quilômetros para ter a chance de ver alguém. É engraçado as pessoas passando. Não são muitas, é verdade. Muito provavelmente, não vieram de tão longe ou, se o fizeram, não tenha sido hoje o dia. Hoje o dia, entre todos os dias, eu resolvi seguir o que dizia o meu coração e tentar amar novamente. Talvez não tenha sido justo com ele... colocar esse peso da decisão. O que fariam os homens médios ao descobrir que um estranho veio em sua busca? Entregar-se-iam porque, como se sabe, o amor é algo tão raro? Ou fugiram porque, tão claro, abundantes são as enganações? 
Foi estranho chegar àquela cidade aonde nunca tinha ido. Passear pelas ruas que, mesmo desconhecidas, eu conhecia tão bem. Depois de estacionar o carro, caminhei diretamente em direção à sua casa. Percebi as ruas, as construções, os parques... era um belo dia! Apesar de nenhuma nuvem pairar no céu, o ar estava fresco, e a paissagem tão nítida. Que alegria poder encontrá-lo justamente naquele dia! 
Quando cruzei a última rua e finalmente estava em frente à sua residência, era como se aquela fosse uma de tantas vezes. Eu já estive aqui - meu coração palpitou. Eu já estive aqui e não sabia exatamente o que ele iria dizer. Eu esperava profundamente que fosse uma surpresa, uma alegria. Coloquei-me em seu lugar e imaginei como seria acordar e descobrir que o amor de minha estava finalmente aqui... a poucos metros de distância. Mas estava nervoso em descobrir outra verdade. Não eram meus sentimentos afinal que julgariam minha atitude inusitada; seriam os dele. Como veria essa invasão de sua privacidade? Queriria que eu estivesse ali? Talvez nossas trocas confessionais não fossem que um jogo, uma distração. Talvez eu fosse o único envolvido e estava prestes a desmantelar a charada.
Não foi por acaso que minhas mãos estavam então trêmulas. E, ao enviar a mensagem que revelaria meu paradeiro, por aqueles curtos instantes, eu secretamente desejei não estar ali. Não estar a transbordar todo meu amor em um ato espontâneo e aparentemente ausente de receio e razão. Foi talvez por isso um alívio, um despesar tão grande quando ele respondeu dizendo que sim. 
Combinamos que eu iria para o calçadão depois do almoço - já passavam das onze - e ele iria lá me encontrar. Pegaria sua bicicleta e diria para os pais que daria uma volta por algumas horas. Seria talvez aquela minha refeição mais longa... tão pouco tempo para imaginar um futuro tão grande. Então quando caminhava de volta ao centro da cidade, os detalhes eram ainda mais belos, e minha familiariedade com o local tornou-se figura de linguagem: poética e tão encantadora.
Eu olhava para as pessoas na rua e sorria. Até o sons dos carros passando, que até apenas me aborreciam, pareciam agora instrumentos em uma orquestra. Era um sentimento tão bom... de estar vivo! De saber que em pouco tempo eu seria testemunha de um momento tão querido de minha própria vida. Que finalmente o acordar de cada dia ganharia algum sentido além da própria sobrevivência. Seria isso então estar apaixonado? Dar à vida algum propósito... o que o trabalho, a família, os amigos apenas distraíam... esse passar do tempo seria apenas um preparo para o que realmente importava? Parecia que sim. Parecia que eu estava preste a descobrir o que por que tanto esperara. E isso me fazia ridiculamente feliz.
E agora eu estava ali. Sentado no banco do calçadão... olhando o horizonte à espera do garoto que mudaria a minha vida. E eu tirei uma foto da ponte que marcava a paisagem... cento e vinte quilômetros haviam me separado por tantos anos do que eu mais queria: alguém que cuidasse de mim. Alguém que, em meus momentos difíceis, tornasse a vida suportável. Naquele instante, percebi que minha decisão não foi deveras uma decisão. Não havia escolha. Ir para lá e sentar naquele banco era minha única chance de permanecer. E meu coração oco, que até então apenas se mexia, passou a bater com força... passou a fazer música. 
Tudo que importava estaria ali. Então eu esperei. E esperei. Peguei o telefone e vi a foto a da ponte. Ela não estava lá... ou, ao menos, não se podia claramente ver. Uma cerca a encobria. Talvez ela fosse baixa demais, ou eu não escolhera o ângulo correto. Então olhei para o céu... não estava mais azul. Estava encoberto de nuvens que não iriam chover, mas também não iriam embora. E olhei para as pedras que preenchiam a calçada, e vi que ninguém mais sobre elas pisava. Eu estava lá, sozinho. No horizonte, não havia bicicletas. Não havia nada. Então eu levantei, caminhei em direção ao carro e voltei para casa.



  

domingo, 17 de junho de 2012

the dark day

you said today would be your dark day
when you'd spend the hours thinking
about what you regret and what
you cannot help

you said today you'd feel bad about your life
about the unfairness it sprang upon you.
so i nodded in compassion
and felt compelled to loving you instead.

now i see the cost of it.

you said today would be your dark day
but it might as well just be mine.


sábado, 16 de junho de 2012

Ato perfeito

Há culpa na derrota
na memória de quem
já não pode mais...

Não há mais energia para pedir
nem para permanecer no lugar
então devo deixar o arbusto
em casulo o lar.

Tão exaustivo
lutar em uma batalha
que ainda nem começou.

Meu amor gratuito
consumista
exauriu-se na cláusula
que o criou.

Ato perfeito
não é o apto
a produzir seus efeitos...
inexatidão.




sexta-feira, 15 de junho de 2012

The Wrong

Today I needed you so badly
and I tried to reach you
though I was not supposed to.

I got no answer as usual
and I wasn't even allowed to question it
for asking for love apparently drift us apart.

It's been so hard  to love less
in order to be with you.
I'ts been hard to hear no's
when all I need is a yes.

Am I really being selfish?
Have I really gotten this all messed up...

To be afraid all the time of your disappearance
if I say the wrong words...
if I do the wrong things...

And I don't even have the courage
to ask if you've read it.
And I don't even have the courage
to imagine you'd be gone.

Then what am I doing here?



sábado, 26 de maio de 2012

Me tire do palco

Quantas vezes pedirei perdão,
postularei de volta
traquinices das quais
não sou capaz de me livrar?

Suplicar para sair do jogo,
em que finjo ser anjo
e você pretende dor,
esboça...

Amor então seria perdido
na perfídia do dia
em que nasci.
Na  empácia do interesse
que só nasce quando
desinteressado.

Culpado seria por certo:
tentar demais, enxergar demais.
Tentado à felicidade infeliz,
condenado, afinal, às traquínias do amor.

Birro contando as horas que faltam
e me faltam.
Turro: "me tire do palco",
e tiro do vasto mundo
pequeno mundo [, a dor]
que você criou.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

The leak

What does it mean when love leaks from your eyes?
When you cannot hold it together?

What does it mean when hoping to being
equals fear of scattering?

When you have to step back
in order to move forward
even though both sound
like nothing but wordplay?

And then your legs start shaking
as you feel the fall drawing near
indeed breaking apart
is just a matter of time.

And you keep marching
all the same.
As the leaking liquid
brims over with pain
and falls onto your life.




domingo, 20 de maio de 2012

A viagem

Hoje estive tão perto, e tão longe.
Vi tanto, e muito pouco.
Viajei quilômetros, e não saí do lugar.

Alguns diriam: "bobagem"; outros: "bobo".
Alguns diriam que ficasse,
outros que, em alguma curva,
o destino errou.

Poder-se-ia dizer que fiz por você.
Para mostrar que estou em passos ao alcance.
Para provar deveras louco, mas admirável amor.

Poder-se-ia afinal julgá-la concessão de escolha,
ou egoísta imposição.

Julgamentos à parte
em estradas de rodagem
de que não faço questão.

Foi só para mim... agora vejo.

As paredes que o cercam,
os caminhos que o levam,
o céu de sua janela, enfim.













sábado, 19 de maio de 2012

The day (II)

The day was supposed to be today.
For some reason, it was not.

Maybe it is a sign that something is wrong.
Or maybe it was what saved the future.

It is not easy to be afraid to lose something you have not,
specially when I've always regarded fear to be unraveling.

What does it mean then when fear prevents you from living
and leaving.

The day was supposed to be today.
I was supposed to be on my way
and, yet, I truly hope I still am.



quarta-feira, 9 de maio de 2012

The story

Yesterday I was talking to a friend of mine about how hard being soft can be. About how brave one should be in order to be afraid. That may be silly, of course. Or a way of self-defense. 
Truth be told, changing may be an option. For making the same mistake over and over again somehow builds the path of turning. Or does it stiffen one's own rules and loosens freedom?
I am not free, that's a given. Maybe I just fall into Freud's categories or is being locked something we opt? These are all excuses, I know. Always the same speech, always the same place. Always the same victim? And soul, so...

I remain in my hiding place. The words I choose to tell the story I might as well never live. I build characters and they destroy me. And their strength... oh, so powerful, they took it from me.


terça-feira, 8 de maio de 2012

In between the lines

Alguns diriam que as melhores mensagens não se revelam facilmente,
não são ditas de supetão,
não são transparentes.

Diriam que os dias passam, as coisas evoluem
e finalmente acontecem.

Eu os invejo e desprezo.

Em certos momentos,
ser ou não ser não é relevante,
pois não se trata de um estado:
estado da questão.









terça-feira, 24 de abril de 2012

A carta

Diferente olhar marcava o seu rosto hoje. Eu não consegui exatamente decifrá-lo, o que é estranho ou, ao menos, pouco comum. Foi uma mistura de deboche, com surpresa e talvez alguma dosagem de tristeza, embora seja esse provavelmente apenas um desejo meu.
De fato, não é segredo essa vontade de vê-lo triste. Eu mesmo lho disse em alguma conversa que tivemos depois de nossa separação. Falei de como talvez fosse preciso que experimentasse um pouco da dor de um amor amargurado para finalmente figurarem verdadeiras suas declarações de "eu te entendo" e nascerem as de "me desculpe". Entretanto, o mais provável seja que inventei todo esse cenário - não exatamente a sua presença, porque a loucura ainda me permite separar a visão  real da visão querida -, e, ao passar por mim esta noite, você nem ao menos reconheceu minha nuca e contracapa.
Eu me pergunto às vezes por que preciso tanto de sua atenção, mesmo tendo-a concluída má e infrutífera. Faz parte do nosso jogo, deveras fato: eu fingir que ainda tenho vida e você que não foi quem a tirou de mim. Seria afinal sua compaixão meu ultimato remédio? Estarei eu curado se você olhasse no fundo dessa minha negra alma e pedisse perdão por não ter sido o que seu primeiro beijo prometeu? Ou teríamos que compartilhar dezenas de vidas juntos, morrer e nascer incessantemente para encenar o mesmo descartável amor? De um jeito ou de outro, nós dois sabemos que nenhuma dessas é factível.
Então eu vivo esses momentos que entrelaçados chamo de dias. Na descabida esperança de que em um belo desses possa acordar. De que possa ver um projeto construído justificante de cada lágrima salgada formadoras do oceano Filipe crescente em mim. A verdade, contudo, é-nos tão nítida: morrerei finalmente sem deixar nada além do peso de meu amor por você. E você o sentirá indolor, descartável e invisível, ou, se mesmo percebido, ignorável incômodo enfim.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Xipófago

Você me dominou hoje de novo
o dia inteiro
e estive perto de desistir
do ar e assentar na fadiga
do pensamento.

Insisto em não fugir
ou fugir para a gaiola
porque liberdade parece
palavra perdida no mar
da solidão.

O quanto de mim teria de desistir
para ganhar um instante só?
O quanto precisaria perder
e poderia continuar ser vivo
por um segundo sem você
em meu corpo?

Como dói estar perto
de alguém tão distante
que dividiu meu zigoto
e agora me divide
até a morte.

Até quando permanecerei seu
e não serei o eu sozinho,
o eu que pensa em frivolidades,
em fagocidades -
adeus ao xipófago
que me acorrenta ao chão.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Misantropo

She turns her head as he draws near
but he is not really there
And between memories she forgot to keep
though they still rekindled her loveliness endlessly

She decided there were nothing else to fight for.

When giving it all suddenly became such a burden
a crying shame no one is really willing to sell.

She turns her head away
and as the wind starts to blow
she starts to fade out.

And still she fights the resistance
and still it makes no difference at all.




sábado, 31 de março de 2012

All I want

When Joni Mitchell played (what I believe to be) the first version of the song "All I Want" on September 3rd 1970 in London, she probably did not expect it would change so much in its final version. Or maybe she did not believe it did.

For starters, it was well shorter and filled with humming. In its content, the song was – in my opinion – darker, although most of it remained in the final version. There were only three exceptions: she took out the verse ‘Do you think you're fooling me with your phony camaraderie?’, the revelation that the jealousy and greed she talk about were hers and about what she is looking for in her travels.

On the other hand, what contrasts the two versions the most – at first glance – are the additions. Indeed, they lighten the song and make it somewhat contradictive, what is it noted in one of its first verses ‘I hate you some, I love you some’. In the early version, there is no such contradiction: the relationship was troubled and failed.

The trouble however still remained. So maybe it is ok to have a change of heart, or to see things in a slighter less harsh way. Still, somehow – although I do appreciate it – I find the later version silly - or at least childish - or the rhymes make it less truthful. So maybe she’s playing a trick: and the phony version is the one fooling us.



Early Version:





Album Version:

sexta-feira, 23 de março de 2012

Tempo

Hoje olhei sua foto e lembrei de momentos que nunca vivemos,
lembrei de uma vida cheia de amor e desprovida de medo,
chorei ao pensar o quanto sou seu, e o quanto o resto de mim
ainda terá de esperar.

Planejei então o dia que mudarei os planos,
que baterei em sua porta e você dirá:
"finalmente você chegou".

Não saberia, pois, dizer
onde afinal habitam os sonhos:
se em um passado longíquo,
em um futuro certeiro,
ou na mera especulação.

Ao dormir espero finalmente compreender,
e estar onde meu coração (se) encontra...
ter a vida que a vida me negou;

Ao dormir espero finalmente perceber,
que o tempo é uma arma,
assim como uma dádiva,
e que seu retrato traga lembranças
seja o tempo quando for.




domingo, 18 de março de 2012

Pascal, o amor e Buranelli

É engraçado (?) quando se tenta entender os próprios sentimentos. Até estabelecer essa dicotomia: o coração e a razão. Como se houvesse dois oponentes em eterna batalha, ou dois debatedores que buscam, com incessantes argumentos, mostrar qual está certo.

Talvez essa ideia tenha iniciado ou, ao menos, propagado-se, quando Blaise Pascal escreveu, no século 17, a frase que seria posteriormente por tantos citadas: "Le cœur a ses raisons que la raison ne connaît point: on le sait en mille choses".¹ Desentrenhada de seu contexto, a máxima viraria quase uma desculpa dos apaixonados, que a repetiriam sempre que uma atitude inusitada - positiva ou negativamente - devesse ser justificada.

Basta continuar a ler o texto do matemático, contudo, para perceber a apropriação imprópria. Ao tentar separar coração e razão, Pascal nada mais fazia do que explicar sua recém renovada fé, que talvez parecesse contradizer com todo seu legado nas ciências exatas. Sua religião e sua ciência poderiam então conviver, pois habitariam em campos diferentes: "C'est le cœur qui sent Dieu, et non la raison. Voilà ce que c'est que la foi : Dieu sensible au cœur, non à la raison".¹

Ao falar do amor romântico, contudo, seu discurso inverte-se por completo: "L'on a ôté mal à propos le nom de raison à l'amour, et on les a opposés sans un bon fondement, car l'amour et la raison n'est qu'une même chose".² A separação entre amor e razão não traria que prejuízos, pois o verdadeiro amor seria aquele pensado, refletido. Que desserviço assim fariam os poetas ao cegá-lo: "Les poètes n'ont donc pas eu raison de nous dépeindre l'amour comme un aveugle; il faut lui ôter son bandeau et lui rendre désormais la jouissance de ses yeux".²

Justa ou não tal dicotomia, amor e razão permaneceriam em insistente litigância. Foi o que aconteceu, pelo menos, quando Luigi Buranelli foi sentenciado e enforcado em Londres em 1855.³ A nova onda humanista, que passaria a absolver acusados cujas razões não mais lhe serviam, falhou quando a defesa de Buranelli tentou justificar o assassinato que cometera contra o homem que denunciara as relações "impróprias" que Buranelli mantinha com uma albergueira. Não bastava pois que o coração mandasse e a razão não impedisse.

Quase duzentos anos depois, e a pergunta permanecesse a mesma: basta que o coração mande e a razão não impeça? Ou tal colocação não passa de um jogo de palavras de quem não sabe explicar as atitudes que (não) toma?








¹ Pensées de Blaise Pascal. Paris: E. Lagny, 1870, p. 26.
² Pensées, fragments et lettres de Blaise Pascal. Paris: Andrieux, 1844, p.117
³ Medical critic and psychological journal, Volume 2. London: J.W. Davies, 1862. p.83

sábado, 10 de março de 2012

The fall

At times have I experienced this very strange feeling. Though mostly, I('d) feel rather blue, every now and then I'd get the overwhelming sensation... this burning desire... a will not to die. Which is somewhat unusual, since my attitude towards death was always a friendly one. I wouldn't describe it as being exactly suicidal, but more accepting, or even acknowledging of its assets.

I guess the first time I got this unusual feeling was at the age of 17. I had just kissed my first boyfriend, which coincided with the first time I ever kissed a boy. Maybe was the curiosity to find out what so many people talked about all the time... this so called happiness. Perhaps that was first time I was ever happy and, because of it ,I did actually care whether I'd die or not.

That feeling did not last very long. As I would find out soon enough, I was not cut out for romance, even though romance was always in my head, or in my heart. For the many years to come, I'd always be in love, but receiving love would always be something very rare. So I would not feel that will not to die very often.

Four years ago, I had a chance to have that feeling. After collecting two great loves who'd broken my heart, I met the person I'd love the most. We'd be together for some time, it's true. But I can't really say that our being together meant feeling loved. It's hard to spot a single moment when I actually felt he loved me - as I did mentioned it in a past post.

But there actually was one moment when I felt that I could be loved. It was soon after we first met. We walked for a a few blocks - we'd planned to spend some time together in an apartment my family owned in the city he lived. I was so nervous to be next to someone so beautiful and who I wanted to be with so badly. And I wasn't sure if he felt anything as such. But then, as we took the elevator, he did something very close to love: he kissed me, out of the blue. That was my chance to have the feeling again.

It's true nothing would work out between us after that. Even at the end of that very day, as I expected we'd spend the night together, he told me he had to go home. The fact the I traveled for hours to be with him, and mainly the fact that I was already in love with him - which I would accidentally tell him the following week -, did not seem to matter at all.

But now, some many years later, I find myself wondering. How perfect would life be if it had ended right after that first kiss. If I'd ceased to exist having received a kiss from the person I'd love the most, and not witness his following ripping of my heart. How perfect would be to die when I wanted to live the most.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

The news

I heard it somewhere; maybe it was on the news. Felt I rather surprised to be taken with it. Felt I have taken to loving and loathing it.

As I gathered myself together, I gathered myself for a journey I could no longer embrace. For what I heard I did already know.

I began senseless to understand I would never again be that boy.

And I turned the page on you.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ouvimos passado sobre lugares
sobre como árvores que caem no chão
e apodrecem
você se atrela ao mundo que me cerca

Se vejo um rosto, quase seu
desejo a morte de populações inteiras
só porque está entre eles
então me convém

Quando uma cidade vira um só homem
o pensamento um só objeto
e a vida o anseio do fim

Qual fim teriam afinal
esses meus dias macabros
em que o grande herói
transforma-se em herói fracassado
e abandonado
e vão



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A invenção da taxonomia

Volta e meia ouço algum comentário, ou leio algum texto, sobre o quão difícil pode ser dizer algumas palavras. Sobre o quanto dói, o quanto inibe, o quanto assusta a expressão. Eu concordo. Não concordo, contudo, sobre exatamente quais seriam essas frases tão árduas de se pronunciar. Isso porque quando ouço esses comentários, ou leio esses textos, normalmente seus autores fazem referências a declarações de amor, ou confissões de erros, ou grandes segredos que por muito permaneceram enterrados.
Posso até entender esse posicionamento. Mas, para mim, esses nunca foram grandes problemas ou, se o foram, certamente não eram os maiores. Não é fácil às vezes dizer que se ama, que se odeia, que errou... mas, quase sempre, fazê-lo é inevitável, ou mesmo extremamente gratificamente.
Na minha vida, por outro lado, o mais duro tem sido enxergar o cinza. Admitir que o amor e o ódio, a raiva e a paz, o bom e o ruim, e quaisquer outras impressões que há em mim são apenas isso: impressões. Porque o que me mais dói é lidar com um amor que não consigo controlar e saber que odeio o que não é fundamentalmente mau. É engraçado pensar que, quando Aristóteles ensinou-nos a classificar, ele tornou a vida inocente, tolerável e demasiadamente injusta.
Então, quando hoje acordei e percebi que o homem que quebrou meu coração foi bom para mim, eu vivi um desses momentos. Um desses difíceis momentos que talvez jamais conseguirei completar. Escrever este texto talvez seja parte dessa árdua tarefa, embora - ou porque - não acredite que chegará em suas mãos em algum momento do futuro. E o dia em que olharia em seus olhos e diria obrigado não é, de fato, imaginável.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O fantasma

Já faz um tempo que tento a distância, que apaguei as evidências, que disse a mim mesmo que devo esperar.
Já faz um tempo que não sorrio com tanta frequência, ou tão espontaneamente. Que eu faço as vezes de quem precisa lutar.
E quanto mais passam os meses, e chegam os anos, e a vida acontece... mais eu me sinto refém da espera, da esperança que há de acabar.
Certamente esbarrar com você na rua não ajudou. Lembrar que você é pessoa e não apenas um fantasma em minha imaginação.
Então eu faço de conta que está tudo bem, e prossigo. E desmorono a cada passo porque já não sei fingir.
E você tão de longe, e tão de perto. E tão ausente, porque sei que o fantasma é só meu, que apenas eu sou assombrado.
Então desmorono a cada passo, porque já não acredito em esperar. O tempo acabou, e eu acabei.

domingo, 8 de janeiro de 2012

One day.

It is such strong a sentence... so liberating... and so frightening...
and every time I hear it I feel heavy... so heavy... as if I could no long stand upright.

And so I imagine when it will be... when I will gather myself around my dreams
and make them not only so.

It is hard to think of a future when you heart is broken and you feel as tough it may not be healed.

So... will I one day be healed? In the same way she says it in the sentece I keep repeating to myself.

One day I will be healed.