terça-feira, 8 de agosto de 2017

Not because I was given a gift
Therefore nor for their generosity
but their strength
their dogged persistence.

That's why I am here today.

I don't think that can be measured
in terms of good or bad
of right or wrong
it just is.

Thus I am not thankful
nor angry
instead I recognize their courage
and their selfishness
a naive ignorance
about what the future holds
and what it does not.

It does not guarantee
I cannot guarantee
by no means
whatsoever.

Because I was not given a gift
but an incredibly generous offer
I stubbornly couldn't refuse.















terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Rapazes

Rapazes.

Assim estava escrito no pedaço de papel para controle das mesas. Havia também um casal; uma família com duas crianças; senhor de boné. Nós éramos apenas rapazes. 

Estranhei quando li. Não que não pudesse nos definir - ou, ao menos, nos identificar - dessa forma. Poderia. E também não que fosse ruim. Não o era. Era apenas muito pouco. Muito pouco para mim.

De onde vem essa sede; às vezes, me pergunto. As cartas foram dadas e recebi talvez muito mais do que merecia. O que eu merecia? Ou até melhor: o que eu queria? 

Não esse querer esdrúxulo. Esse querer óbvio. É claro que é ele que eu quero. É com ele que tenho sonhado. É ele que tem feito eu voltar a lugares tantas vezes visitados, mas que tiram meu fôlego a cada vez que retorno ali.  

O que eu quero? Um romance de romance, com uma puta trama, cheio de contornos. Nada simples... nada simples. Simples para quê? Eu quero isto: que rapazes que são então rapazes e nada além de rapazes se transformem em amantes. Que se amem. Não um amor dado... assim de supetão. Um amor construído, conquistado, merecido grão a grão. Um amor que transforme carne. Que transforme alma. Que transforme tudo.

Veja... não são rapazes. São tão diferentes. Porque um quer esse amor lapidado, quase arrancado, uma odisseia; enquanto ele próprio derrama um amor tão fácil... de graça... que vem do ar. São dois antagônicos. Não têm nada a ver. Um quer tudo e dá tudo. O outro quer algo e dá algo. Tudo e algo não têm nada a ver.

Eu lembro então das lágrimas que derramou no cinema. Eu lembro então da atenção quando atenção não era devida.  E lembro desse rapaz lindo, tão lindo, que por algum motivo, e talvez por esse motivo, ainda não encontrou amor. E que não me rejeitou. Não me rejeitou. Tinha tudo para fazê-lo. Tinha algo por fazer. Seria compreendido por qualquer um, se assim procedesse. Se não apenas não mergulhasse, mas desprezasse cada centímetro de aproximação.  Mas decidiu que não. 

São dois rapazes na mesa. Eles estão na praia almoçando. Rapazes... isso é tudo que são.






terça-feira, 10 de janeiro de 2017

I thought we were mutating beings that struggle to survive
I came to realise we struggle to cease instead
how much it hurts to be part of something
you are aware of
but about which still not sure
if it really is




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

André

André é uma etapa nova
um jeito novo

entrou em minha vida
como nunca ninguém antes
e me fez melhor

mas ele não sabia
não conhecia

era Alexandre quem mudava

o que lhe era muito
foi-lhe pouco
fez-lhe pouco

ele precisa de mais
ele merece mais

André me disse
que pensou em amar de novo
depois de decidir abandoná-lo

Eu lhe disse
que pensei em ser feliz de novo
depois de decidir abandoná-lo

Amor polivalente porém
felicidade também

Não desejava relação de outrora
justo aquela que André queria
provar pela primeira vez

Então André entrou em minha vida
e ficou
mesmo que já não volte mais

porque algumas coisas ainda são
como sempre o foram

Amor polivalente eterno
felicidade de quem?


domingo, 23 de outubro de 2016

Raro

Não há uma palavra. Não há forma de colocá-lo em uma frase. Ainda assim, é o que se pode tentar. É o que se necessita tentar. Eu, ao menos. 

Li a mensagem de que estava na portaria. Eu estava na portaria. Então virei o rosto e vi ali em pé. Me olhou com uma expressão, como se eu fizera algo equivocado, que me comunicara mal. Eu me comunicara mal. Porque ele estava ali em pé, ao lado de alguém que eu conhecera. Tanto tempo fa.

Você me contou antes. Mas não era ele. Você me contou antes. E eu disse que estava tudo bem. Estava tudo bem, menos perder você. Como se o que tínhamos fosse algo raro. Foi raro, até que já não foi mais.

Então não foi o engano que construí nesta noite. Não foi o haver ou não haver. Talvez nem mesmo o imaginar haver ou não haver. Foi o não ser mais raro. Foi ver o laço se dissolver ali, enquanto testemunhava não apenas a dor que traíra, mas a desilusão de achar que seria possível. 

Não é isso, eu sei. Não há uma palavra. Não há forma de colocá-lo em uma frase. Ainda assim, é o que se pode tentar. É o que se necessita tentar. Eu, ao menos. 


quinta-feira, 2 de junho de 2016

ya pasó

ya pasó. le dije lo que debería. y me lo hice tal cual. ya no como solía serlo. y aun así, igual.

igual no lo cambiaría. no hay nada, lo ves...
                                           no hay nada que podría haber hecho. lo mismo.

así que no haya más. me lo olvidé. se me fue todo. se me cayó.

lo tan real que me parecía y ahora.

bueno. ahora ya pasó.


domingo, 1 de maio de 2016

Sim

Eu diria sim. Quando chegasse ao meu lado e fizesse a pergunta, eu diria sim. Ainda que não acreditasse piamente. Ainda que tivesse todas as dúvidas. Eu diria sim. 

Não foi surpresa. Quando eles chegaram e o vi pelo vidro da porta, não havia nada mais o que fazer: eu já era seu. Foi surpresa. Porque não esperava que aquele menino franzino virasse esse homem. Esse rapaz que me faria sonhar novamente.

Então os dois entraram e eu me perdi outra vez. Eu não teria combinado nada, não teria desejado nada, se soubesse que iria me apaixonar. E me meter nesse enrolo - que foi bom, foi bom: um sofrimento prazeroso. Fingir que era Alexandre e seus dois maridos, ainda que a um só de verdade amasse. Ou os amasse de formas distintas. Porque tinha um por conta do outro.

Eu sabia que não duraria. Mas tampouco sabia que o fim estava tão próximo. Eu achei que eu poderia conquistar algo. Que algo nele se transformaria, se moldaria, para que ali eu pudesse permanecer por algum momento. Não muito longo. Não tão à vontade. Mas que aceitasse um pouco de meu coração.

Eu deveria dizer sim. Eu deveria aceitar o punhado do [quase] amor que ele me ofertara. A possibilidade de tê-lo ao meu lado. De ter alguém que eu desejo tanto. Por quem eu faria tanta coisa - quanta coisa? E pensei a respeito. Pensei em arriscar um passo mais. Mesmo sabendo, ou não sabendo, do fim que me aguardava. 

Então lhe perguntei. [Fingi que] abri meu peito e desnudo em sua frente, disse o que não podia mais conter. E pedi que não fosse apenas até onde a camisa impusesse limite. Pedi que, mesmo não sendo meu lugar, ele me dissesse que sim. Mas ele disse que não. Ele disse não, mas eu.... eu diria sim.