domingo, 20 de maio de 2012

A viagem

Hoje estive tão perto, e tão longe.
Vi tanto, e muito pouco.
Viajei quilômetros, e não saí do lugar.

Alguns diriam: "bobagem"; outros: "bobo".
Alguns diriam que ficasse,
outros que, em alguma curva,
o destino errou.

Poder-se-ia dizer que fiz por você.
Para mostrar que estou em passos ao alcance.
Para provar deveras louco, mas admirável amor.

Poder-se-ia afinal julgá-la concessão de escolha,
ou egoísta imposição.

Julgamentos à parte
em estradas de rodagem
de que não faço questão.

Foi só para mim... agora vejo.

As paredes que o cercam,
os caminhos que o levam,
o céu de sua janela, enfim.













sábado, 19 de maio de 2012

The day (II)

The day was supposed to be today.
For some reason, it was not.

Maybe it is a sign that something is wrong.
Or maybe it was what saved the future.

It is not easy to be afraid to lose something you have not,
specially when I've always regarded fear to be unraveling.

What does it mean then when fear prevents you from living
and leaving.

The day was supposed to be today.
I was supposed to be on my way
and, yet, I truly hope I still am.



quarta-feira, 9 de maio de 2012

The story

Yesterday I was talking to a friend of mine about how hard being soft can be. About how brave one should be in order to be afraid. That may be silly, of course. Or a way of self-defense. 
Truth be told, changing may be an option. For making the same mistake over and over again somehow builds the path of turning. Or does it stiffen one's own rules and loosens freedom?
I am not free, that's a given. Maybe I just fall into Freud's categories or is being locked something we opt? These are all excuses, I know. Always the same speech, always the same place. Always the same victim? And soul, so...

I remain in my hiding place. The words I choose to tell the story I might as well never live. I build characters and they destroy me. And their strength... oh, so powerful, they took it from me.


terça-feira, 8 de maio de 2012

In between the lines

Alguns diriam que as melhores mensagens não se revelam facilmente,
não são ditas de supetão,
não são transparentes.

Diriam que os dias passam, as coisas evoluem
e finalmente acontecem.

Eu os invejo e desprezo.

Em certos momentos,
ser ou não ser não é relevante,
pois não se trata de um estado:
estado da questão.









terça-feira, 24 de abril de 2012

A carta

Diferente olhar marcava o seu rosto hoje. Eu não consegui exatamente decifrá-lo, o que é estranho ou, ao menos, pouco comum. Foi uma mistura de deboche, com surpresa e talvez alguma dosagem de tristeza, embora seja esse provavelmente apenas um desejo meu.
De fato, não é segredo essa vontade de vê-lo triste. Eu mesmo lho disse em alguma conversa que tivemos depois de nossa separação. Falei de como talvez fosse preciso que experimentasse um pouco da dor de um amor amargurado para finalmente figurarem verdadeiras suas declarações de "eu te entendo" e nascerem as de "me desculpe". Entretanto, o mais provável seja que inventei todo esse cenário - não exatamente a sua presença, porque a loucura ainda me permite separar a visão  real da visão querida -, e, ao passar por mim esta noite, você nem ao menos reconheceu minha nuca e contracapa.
Eu me pergunto às vezes por que preciso tanto de sua atenção, mesmo tendo-a concluída má e infrutífera. Faz parte do nosso jogo, deveras fato: eu fingir que ainda tenho vida e você que não foi quem a tirou de mim. Seria afinal sua compaixão meu ultimato remédio? Estarei eu curado se você olhasse no fundo dessa minha negra alma e pedisse perdão por não ter sido o que seu primeiro beijo prometeu? Ou teríamos que compartilhar dezenas de vidas juntos, morrer e nascer incessantemente para encenar o mesmo descartável amor? De um jeito ou de outro, nós dois sabemos que nenhuma dessas é factível.
Então eu vivo esses momentos que entrelaçados chamo de dias. Na descabida esperança de que em um belo desses possa acordar. De que possa ver um projeto construído justificante de cada lágrima salgada formadoras do oceano Filipe crescente em mim. A verdade, contudo, é-nos tão nítida: morrerei finalmente sem deixar nada além do peso de meu amor por você. E você o sentirá indolor, descartável e invisível, ou, se mesmo percebido, ignorável incômodo enfim.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Xifópago

Você me dominou hoje de novo
o dia inteiro
e estive perto de desistir
do ar e assentar na fadiga
do pensamento.

Insisto em não fugir
ou fugir para a gaiola
porque liberdade parece
palavra perdida no mar
da solidão.

O quanto de mim teria de desistir
para ganhar um instante só?
O quanto precisaria perder
e poderia continuar ser vivo
por um segundo sem você
em meu corpo?

Como dói estar perto
de alguém tão distante
que dividiu meu zigoto
e agora me divide
até a morte.

Até quando permanecerei seu
e não serei o eu sozinho,
o eu que pensa em frivolidades,
em fagocidades -
adeus ao xifópago
que me acorrenta ao chão.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Misantropo

She turns her head as he draws near
but he is not really there
And between memories she forgot to keep
though they still rekindled her loveliness endlessly

She decided there were nothing else to fight for.

When giving it all suddenly became such a burden
a crying shame no one is really willing to sell.

She turns her head away
and as the wind starts to blow
she starts to fade out.

And still she fights the resistance
and still it makes no difference at all.